terça-feira, 11 de maio de 2010

O creme do pão doce

Sim: é aquele creme adocicado e amarelinho que fica por cima do pão macio de massa branca, que tantos gostam.

Nem me lembro o motivo da escolha do nome. Muito menos pq decidi escrever besteiras e publicar na internet. Provável (má) influência de alguém.

Mas, seria este nome uma analogia as já afamadas frases “último biscoito do pacote”, ou “o gás da Coca-Cola”?

Uma descrição que mostraria ser o blog uma mera superficialidade, pois, afinal, o creme do pão doce não é só uma cobertura amarela num pão tão simples quanto o do cachorro-quente?

Seria uma influência gastronômica inconsciente do rotundo autor do blog?

Nada disso. É só um creme doce e amarelo, com sabor que lembra a baunilha, que se encontra na cobertura de pães encontrados em todas as padarias do Brasil, que tantas pessoas comem e que no final vira a mesma MERDA de sempre, independente do cu que a cague. Só isso. Entendeu?

Assustador

Vi um anúncio de emprego no jornal que me chamou a atenção. Apesar de ser um cargo inferior a outros que já exerci, achei interessante por ser numa instituição tradicional e também uma oportunidade de deixar de trabalhar para “os que vestem branco.” Mesmo que isso significasse menor salário.

A vaga, de auxiliar administrativo, não requeria muita coisa: experiência em atividades administrativas e em arquivamento, nível médio e conhecimento em informática.

O anúncio se repetiu no final de semana seguinte, e até pensei que haviam republicado pela baixa entrega de currículos.

Fui chamado à primeira fase de seleção. Chegando ao local, fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que foram convocadas: 150. Soube depois que haviam sido enviados 500 currículos no total. Surpreendente mesmo.
Animei-me com a abstenção: Devem ter faltado uns 50 candidatos nesta fase.

Uma prova de interpretação de texto com um tema de jornalismo. 15 questões apenas.

Passaram à próxima fase 50 pessoas: todas que tiveram, pelo menos, 70% de acertos na 1ª prova.

Seria uma avaliação psicológica. Pelo número de pessoas, descartei uma dinâmica de grupo. Achei que deveriam aplicar uma prova escrita, para que numa outra fase, houvesse uma dinâmica e entrevista.

Estava enganado. Passaram a todos uma pequena folha, com meia dúzia de perguntas. Devíamos escrever e posteriormente, diante dos demais candidatos, nos apresentar e responder tais perguntas.
Nome, idade, o que gosta de fazer, o que não gosta de fazer, pontos positivos e coisas que tem que melhorar, o que espera estar fazendo daqui a cinco anos e experiência profissional. Simples assim.

Aos psicólogos de plantão: Desculpem-me a ignorância, mas se um teste destes serve para traçar o perfil de um cidadão, seu diploma deve valer muito pouco no mercado...

E não é que é verdade? Afinal, a apresentação, morosa, repetitiva e dissimulada dos participantes me fez ficar assustado: Havia psicólogos participando da seleção!
Mas não eram só psicólogos. Advogados, professores, analistas de sistemas, filósofos, jornalistas, economistas, pedagogos, professores, todos os tipos de graduados e pós graduados. Gente que está cursando sua segunda graduação, inclusive! Vários em pleno exercício da profissão. Assustador, como diz o título. Alguns outros, como eu, haviam ingressado na graduação e estavam parados, outros, estudando. Talvez dois ou três fossem secundaristas. Alguns candidatos tinham 30 anos de experiência!

O desânimo se fez presente: Não me empenhei em fazer uma boa apresentação, apesar da minha imensa facilidade de falar em público, experiência e formação que se enquadravam perfeitamente à vaga. Para terminar, havia uma redação com o título: “Quem sou eu!” Devia ter escrito: Sou Daniel na cova dos leões. Não o fiz. Tracei umas 15 linhas, sem nenhum tesão, e entreguei rapidamente.

Uma imensa sensação de perda de tempo tomou conta de mim. Não estou desmotivado, mas creio que mudar de área vai ser algo demorado, gastando mais tentativas que imaginei inicialmente.

Fico mais triste por existir tanta gente com formação e que não consegue trabalhar na sua área, seja por falta de oportunidades ou porque não tem competência para tanto. Talvez não tenham sido bons alunos o suficiente para tentar o concurso público, com provas específicas de sua área. Não dá pra entender. Penso, à vezes, que a graduação é um mero canudo pra encher currículo.

Como alguém investe 30, 40 mil reais numa graduação particular e vai tentar vaga num emprego de R$700,00? Quem perde 4 anos estudando jornalismo para ir trabalhar como auxiliar?

Segue vida. Vamos em frente.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Contribuindo com o blog alheio:

http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2010/05/10/enche-o-tanque-37/

Na verdade, sou fã do Gomes, jornalista e piloto "café-com-leite". Fico orgulhoso de contribuir com o Blog do CARA!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Por que, para quem torcer?

Estas perguntas são frequentes na mente do torcedor juizforano e vêm à tona quando acontecem fatos como o ocorrido no dia 8 de abril de 2010. Um empate, em casa, que nos tira a possibilidade de seguir no Campeonato Mineiro deste ano.

Parece normal, diante do que aconteceu no ano passado, sempre em momentos decisivos: uma saraivada de gols do Cruzeiro, uma vantagem perdida diante do Criciúma, um Macaé que nos deixou literalmente na praia e um Uberaba que nos tirou a chance do bicampeonato da Taça Minas, fora um melancólico Juniores, que não passou de fase no certame da categoria.

Mas, afinal, o torcedor do Tupi é um abnegado. Não pode torcer esperando por títulos. Vitórias, talvez. Vitórias e quebras de tabus, quem sabe? Mas títulos, troféus de verdade, reluzentes, que nos encherão de orgulho, parece que nunca os veremos por aqui.

O Tupi, numa campanha do Módulo 2, levou, diante do Uberaba, cerca de dez mil torcedores ao Estádio Municipal. Fato é que a mídia contribuiu com este número expressivo de presenças, mas eram pessoas dispostas a pagar ingresso e tomar sol e chuva para ver o Galo carijó. Hoje, pouco mais que duas mil pessoas comparecem ao estádio, mesmo jogando-se a 1º divisão mineira.

Por que torcer? Esta deve ser a pergunta dos oito mil que não aparecem mais nos degraus e nas cadeiras do Mário Helênio. Esta também é a pergunta que fica na cabeça dos torcedores que se organizam, fazem festa, preparam mosaicos, fazem bandeiras, viajam distâncias incríveis para assistir a 90 minutos de futebol do time de sua cidade.

Por que torcer? Hoje não tenho ideia. A derrota nos faz pensar seriamente em desistir disso e voltar à desgraçada pergunta que segue no título: para quem torcer? Para os cariocas novamente? Malditas proximidade e influência que nos fazem ter sempre esta opção que muito mais que oito mil pessoas escolheram. Talvez, por mostrarem-se mais interessantes que seguir o nosso pobre Tupi.

Publicado na Tribuna de Minas, na seção Opinião/Artigo, em 11/04/2010
É nóis no TM, mano!


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Casamento, uma cerimônia imprescindível e baratinha que só vendo

Via de regra, você terá despesas com o Padre o com o aluguel da Igreja, que provavelmente irá lhe ditar regras como “não escolher músicas que não sejam sacras” ou que “não jogue pétalas quando a noiva entrar, pois isso mancha e estraga o carpetão vermelho comprado pela Santa Sé”.
Não tenho idéia do valor disso, mas passemos adiante.
Certamente a igreja será ornamentada com flores, podem ser de todo o tipo, flores do campo, rosas, palmas, copo-de-leite, sei lá mais o que. Custa caro, ainda mais se você pensar que isso não dura mais do que uns 120 minutos, se Deus quiser.
Chuto que aí vão uns 1000 REAUS.
Segue a missa: Quem cantará? Haverá instrumentistas, piano, orquestra? Creio que não será um CD do Padre Marcelo. Então, reserve aí uns 500 REAUS prum cantor/cantora e instrumentista. Se colocar um trio de cordas, hááááá: Milzão resolve de novo. Razoável, pra umas 6 músicas, não acha?
Pra que música e flores se não vai houver registro deste momento magnífico, ainda que seja só pra mulher que está vestida de branco? Um DVD e um belo álbum de fotos, pra jogar fora na hora da separação, são imprescindíveis. Lembre-se de nunca fazer com que seus amigos próximos assistam a tal vídeo, tampouco folheiem este álbum. Isso é coisa que deve ser guardada, no máximo, para mostrar pros filhos.
Quer saber? Vai lá uns 1500 pra esta preciosidade. Quer edição primorosa e álbum de veludo vermelho com acabamento em couro de camelo australiano? Há! 2000 no mole.
Docinhos ou lembrancinhas para depois do casamento: Óbvio que vai depender do que você pensa em distribuir. Se der bombom e bilhetinhos, pode calcular umas quatrocentas pratas. Se quiser bonequinho de biscuit e trufas, jogue este orçamento para 800. Claro que isso depende totalmente da quantidade. Se você convidar a torcida do Flamengo, vai acabar com suas economias só no docinho. Bom mesmo é ver o pessoal recebendo alegremente o quitute, comendo e jogando os papéis, convites e biscuit no lixo mais próximo. Ou você acha que alguém, além da tua tia velha, vai guardar lembrancinha de casamento?
Já ia mês esquecendo: Convite! A alegria do casamento. Muitos desistiram já nesta etapa, pois não há consenso sobre o modelo, ou morreram na hora que viram os preços. Nem vou me alongar. Separe uns 1500 pra essa etapa. Afinal, vc não vai perder tempo com convites simples. Se é mulher, vai querer algo especial, que marque. No final das contas, só serve pra alguém pendurar na porta da geladeira pra não esquecer a data de te mandar o telegrama de felicitações.
Estou rindo por dentro imaginando a saga da entrega dos convites. Mais: A escolha do calígrafo (200 pratas) e os nomes escritos errados. Ô alegria!
Ah, o vestido! A coisa mais linda, modelo atual, primeira locação pra ter certeza que não vai ser lembrado por alguém que já foi num casamento naquele mesmo ano.
Branco, pérola, decote, tomara que caia, penduricalhos pra cabelo e salto não muito alto, mas decorado com cristais.
Morro, sempre morro nesta parte: 2500 tá bom pra você? Ah, que isso!!! 3000 não é tanto para uma ocasião tão especial. Manda bala no bolso, sô!
Deus poupou os homens deste problema. Ninguém vai notá-lo mesmo. A não ser que seja um destes “aparecidos”. Não invente e alugue aquele paletó que parece farda, por uns 150 mangos. O gostoso é ficar apertado, com o saco coçando, com a coluna ereta tal qual um alicerce de World Trade Center antes do Osama. E o calor é lindo, você vai A.D.O.R.A.R.
Separe uns 300 mangos pra roupa dos pajens e daminhas, acho que isso dá. Ou você quer deixar aquela tua tia brega escolher a roupitcha das crianças?
Tá tudo indo bem até aqui, fácil e MODESTO.
Mas vai ter que rolar o rango? Se fudeu mermão, vai todo mundo reclamar da cerveja e da qualidade e quantidade da comida servida, mesmo que seja tudo da melhor qualidade. Se você pagar pro César Romero, ele dá notinha na coluna social dizendo que estava tudo magnífico, mas na verdade, não estará. Bem, vamos ser otimistas, você pode servir um wiskhy escocês e pró seco com quitutes de um afamado Buffet, deve funcionar. Nem quero pensar em quanto vai custar esta brincadeira, eu mesmo parei nesta parte. Mas se tiver pensando em whisky mesmo, me chame e me dê uma mesa perto da passagem dos garçons. Ficarei agradecido.
Ah, o amor estará no ar!
Acho que está de bom tamanho, porque você já deve ter comprado seu pacote de viagens, feito tua reserva de grana pra gastar à vontade na viagem e comprado as passagens com a milhagem do teu cartão de crédito. Não? Sério! Meu Deus, corra, corra, corra para longe, na olhe prá trás, ainda dá tempo!
No mais:
Sucesso e um feliz casamento!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Devaneios anacrônicos

Nova sessão, destinada a publicar textos perdidos pelos PCs que me servem/serviram de válvula de escape nos momentos de chateação da vida.

Tem duas coisas que vou postar aqui das quais gosto muito. São textos que não saem de minha cabeça, tal qual "musica chiclete". Ficaram meio que impressos na minha mente e sempre voltam, me visitando e me fazendo refletir sobre seu conteúdo. AHHH. Mentira, isso só vem na minha cabeça pq eu sou um retardado mesmo, foda-se!

Mas são legais, e muitos já conhecem:
O primeiro é do Raulzito, parece que é uma letra não musicada.
"De tanta teimosia
Na burrice que eu insistia
Demorei pra ter certeza
De que a maior beleza
Tava em mim porque eu sou
O meu próprio seguidor
Hoje não creio em bestalhos
Em tarô e seus baralhos
Que se dane quem procura
Nego todas as culturas
Não tem nada mais nojento
Do que quem crê num pensamento
Acho todo mundo burro
Quero tanto dar uns murros
Isso muito me irrita
Eles têm q ter um fim
E eu só acredito em MIM"


O outro já é manjado, do Augusto dos Anjos:

"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"


Legal né, quem gostou bate palma ou enfia o dedo no orifício anal e tenta se virar do avesso.

Inté!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Not Tupi

Bem, cabe-me dizer-lhes que, após 3 anos de trabalho junto à Tribo Carijó, deixei a torcida.
Quem me conhece, sabe de minha dedicação ao Tupi. Sabe também que sempre prego que, pra torcer pro Tupi, devemos ter “desprendimento de resultados”. O clube chega próximo aos 100 anos e, além de alguns títulos de campeão do interior, só tem em sua história a Taça MG e um Troféu de Campeão da Segunda Divisão Mineira. Muito pouco...
Segue jogando “aos trancos e barrancos”. Forma times medianos, que, na melhor das hipóteses, é barrado pela dupla CAM/Cruzeiro nas finais do Campeonato Mineiro...

Esta é a escrita.

E tem hora que isso cansa a gente.

2009: Tudo começa com uma melancólica despedida do Campeonato Mineiro sendo varado, em casa, por sete gols do Cruzeiro. Soma-se uma Copa do Brasil no qual nos classificaríamos com um empate e somos derrotados pelo feio Criciúma. Jogamos a série D e fomos a Campos enfrentar o Macaé, também com a vantagem de um empate. A derrota aconteceu de novo e a classificação para a série C ficou na praia. Pra coroar o ano, chegamos às semifinais da Taça MG, em busca do Bicampeonato. Começamos ganhando o jogo de ida, e tomamos uma virada. No jogo de volta, uma vitória simples resolveria, mas empatamos em casa, jogando o ano no lixo.
O time Junior, pré-classificado para a segunda fase da competição, é enrabado seguidamente em 2009 e perde a chance de se manter na elite dos juniores mineiros.

Como podem ver, é muita decepção para um pobre mortal...

E ainda sou obrigado a ver um amigo ser agredido e perder a camisa pros favelados de Macaé. Uma “torcedora” da Tribo ir na rádio e vomitar um monte de merda sobre a torcida, um presidente afastar-se e retornar, gente de confiança vazando informação, arrogância, tramóia, articulações de bastidores comendo solto, decisões tomadas sem democracia...

Joguei tudo por alto e decidi tomar conta da minha vida.

O Tupi, comigo ou “sem migo” vai continuar sua história, como a contada logo acima. A Tribo vai continuar também, do mesmo jeito.

Quem não vai continuar sou eu, passando perrengue, gastando grana em vão, tomando sol e chuva e passando todo tipo de raiva por um time que me traz mais tristeza do que alegria.