Lá vamos nós, atrasados pro trabalho em plena segunda feira. Entro no primeiro ônibus que passa pelo ponto. Um Santa Luzia, que desce a serra nordeste sabe-se lá vindo de qual bairro.
Já noto que as conversas fluem animadamente. Penso: Hoje não conseguirei concentrar em nada, vou ser obrigado a ouvir conversas dos outros. Lá vem post novo no blog.
Não há como sentar-me. Tá tudo ocupado, já a partir da roleta. Me aboleto por ali mesmo, pouco após passar pelo cobrador.
Acho maldita essa inversão de fluxo de entrada e saída dos ônibus. Ali, na frente, quase sempre fica vazio, pq os bancos são, quase todos, destinados a idosos, deficientes, grávidas e obesos (Olha eu dando mole!) mas depois da roleta é o inferno encarnado na forma de um ônibus.
Dali, onde estou, fico entre os dois primeiros bancos pós trocador. A passageira da poltrona da frente, do lado da janela, está virada para trás, conversando animadamente com a passageira da poltrona de trás, no corredor..
Pena dos que estavam ao lado, pois, mais do que eu, estavam incluídos na conversa e nas confissões da passageira, sem ao menos receber algo por aquilo, a não ser os perdigotos lançados em sua direção.
Eis que a passageira, descasada e agora juntada com seu novo companheiro, discorre sobre o seu desprendimento afetivo em relação aos entes próximos: Os filhos, por opção, saíram de casa e forma residir com os pais. A falante passageira diz que isso não lhe atinge, que agora pensa só em si mesma, pois, se os filhos quiseram ir embora, o problema é deles. Mesmo seu filho mais novo não recebe tratamento diferente em relação a este pensamento, pois vai crescer e depois chutar a bunda dos pais e cair na vida. Afinal, eu tenho mesmo é que cuidar de mim. Sou vaidosa e cuido muito bem de mim mesma. Tenho horror de ficar feia (Há!!! Glu glu! Pegadinha do Malandro?) Ficarei velha mas não deixarei de ser vaidosa.
O novo companheiro morre de ciúmes, igual ao anterior. Fica bravo se ela sair bem arrumada e pintada pro trabalho. Sábado passado ela falou que sairia cedo do trabalho pra ir no salão. Quando chegou em casa, sem ter feitos as unhas, ele loprou e perguntou se havia, escrita em sua testa, a palavra OTÁRIO! Ela explicou pra ele que não conseguiu vaga no salão, e por isso a unha não tava feita. Mas ela não se rebaixa não! Não fica abaixando pra companheiro de jeito nenhum. E se ele acha que ela tá arrumando algo fora do lar, e ela não está, é melhor que ele se prepare pq ela vai é arrumar mesmo, pra quando ele brigar, ele ter motivo de verdade!
Neste momento, eu já estava de cabeça cheia com tanto papo furado e exposição de vida pessoal, em alto e bom som, para todos os 50 passageiros daquele ônibus.
Mas podia piorar, com uma cereja no bolo! A conversa descamba pra tratamento dentário, e discorrem então sobre preço de tratamento, descontos pelo sindicato e coisa e tal...
A falastrona contou que, andando pela rua e chupando um Halls com chiclete, sentiu algo estranho na bala, duro, e cuspiu fora o chiclete com tudo.
Passou um pouco e sentiu falta do provisório, o que a fez entrar em pânico. Banguela em plena GETÚLIO VARGAS!
Meu deus, o provisório era caro (imagina só quando ela souber o preço da coroa dentária) e ela saiu rodando pela avenida, procurando pelo chiclete e pelo seu dente.
Morri.
Não sei se ela achou, mas fiquei feliz pelo ponto de descida delas ter chegado e pelo descanso aos meus ouvidos naquele momento.
O Creme do Pão Doce é um blog idiota, assim como o postante que vos escreve! Isso não quer dizer que quem o lê seja também, embora, se você gostar do adjetivo, fique a vontade para usá-lo. E, como diria alguem que não me lembro agora: "Pra isso aqui ficar ruím, vai ter que melhorar MUITO!"
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Tupi, uma razão para torcer.
Quando alguém decide torcer pelo Tupi, não sabemos ao certo onde isto poderá nos levar.
Obviamente que muitos nos olharão com ar de incrédulos, descrentes de nossa opção.
Faria sentido esse olhar recriminador? Na nossa modesta opinião, não.
Afinal, o que é torcer? Vestir a camisa do time; ir ao estádio, nos jogos em casa e até fora da cidade; defender o clube até nas derrotas; ler, conhecer e fazer parte da história do clube. Isso mesmo: Fazer parte da história, pois de nossas memórias sairão os maiores argumentos para esta opção de vida.
Esta história que nem sempre é escrita é que cativa a nós mesmos e traz pra perto outros tantos que se interessam pelo nosso time do coração, devido a nossa feroz defesa pelo direito de torcer por um clube de nossa cidade natal. Ora, é óbvio que temos motivos a mais do que qualquer outro torcedor de times cariocas e paulistas.
Pergunto: Quando você, torcedor rubro negro, entrou no gramado do Maracanã para festejar um título com teu time? E você, torcedor tricolor, tem por hábito conversar com o atacante do teu time, e ele saberia quem você é? Você, cruzmaltino, já teve a oportunidade de estar num churrasco, lado a lado com o ídolo do teu time? Será que o mais autêntico botafoguense, um dia, pode conversar com o técnico do seu time e sugerir um jogador para compor o elenco?
Parece coisa de amador, alguns dirão. Mas não é. A vivência próxima a um clube e de seus jogadores, comissão técnica e presidente nos dá este tipo de privilégio.
E nem por isso eles deixam de ser profissionais, tanto quanto qualquer jogador dos ditos grandes clubes. Muitas vezes, até mais.
E mesmo que nos faltem títulos, nunca deixaremos de torcer pelo time que nos leva ao estádio aos domingos. Que sofre com o orçamento apertado, que sofre diante de uma Federação que insiste em promover só os grandes times da capital, que sofre diante de uma arbitragem tendenciosa e desprezível.
Nada fará com que mudemos de time e de opinião. Porque o nosso clube mora em nossos corações, e este time, da sua humilde maneira, reconhece este amor e sempre nos retribui nos gramados.
Os jogadores sabem disso. Sempre que entrarem em campo, em qualquer circunstância de tempo, situação no campeonato e condições de vitória, poderão olhar para aquela mesma curva da arquibancada e lá estaremos nós, da Tribo Carijó, cantando, gritando, torcendo e vibrando como se fosse aquela a última e mais decisiva partida de todas.
Sempre. Porque nós seremos Tupi até o último dia de nossas vidas
Tribo Carijó, Tupi até morrer.
Obviamente que muitos nos olharão com ar de incrédulos, descrentes de nossa opção.
Faria sentido esse olhar recriminador? Na nossa modesta opinião, não.
Afinal, o que é torcer? Vestir a camisa do time; ir ao estádio, nos jogos em casa e até fora da cidade; defender o clube até nas derrotas; ler, conhecer e fazer parte da história do clube. Isso mesmo: Fazer parte da história, pois de nossas memórias sairão os maiores argumentos para esta opção de vida.
Esta história que nem sempre é escrita é que cativa a nós mesmos e traz pra perto outros tantos que se interessam pelo nosso time do coração, devido a nossa feroz defesa pelo direito de torcer por um clube de nossa cidade natal. Ora, é óbvio que temos motivos a mais do que qualquer outro torcedor de times cariocas e paulistas.
Pergunto: Quando você, torcedor rubro negro, entrou no gramado do Maracanã para festejar um título com teu time? E você, torcedor tricolor, tem por hábito conversar com o atacante do teu time, e ele saberia quem você é? Você, cruzmaltino, já teve a oportunidade de estar num churrasco, lado a lado com o ídolo do teu time? Será que o mais autêntico botafoguense, um dia, pode conversar com o técnico do seu time e sugerir um jogador para compor o elenco?
Parece coisa de amador, alguns dirão. Mas não é. A vivência próxima a um clube e de seus jogadores, comissão técnica e presidente nos dá este tipo de privilégio.
E nem por isso eles deixam de ser profissionais, tanto quanto qualquer jogador dos ditos grandes clubes. Muitas vezes, até mais.
E mesmo que nos faltem títulos, nunca deixaremos de torcer pelo time que nos leva ao estádio aos domingos. Que sofre com o orçamento apertado, que sofre diante de uma Federação que insiste em promover só os grandes times da capital, que sofre diante de uma arbitragem tendenciosa e desprezível.
Nada fará com que mudemos de time e de opinião. Porque o nosso clube mora em nossos corações, e este time, da sua humilde maneira, reconhece este amor e sempre nos retribui nos gramados.
Os jogadores sabem disso. Sempre que entrarem em campo, em qualquer circunstância de tempo, situação no campeonato e condições de vitória, poderão olhar para aquela mesma curva da arquibancada e lá estaremos nós, da Tribo Carijó, cantando, gritando, torcendo e vibrando como se fosse aquela a última e mais decisiva partida de todas.
Sempre. Porque nós seremos Tupi até o último dia de nossas vidas
Tribo Carijó, Tupi até morrer.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Muito pra mim é tão pouco...
Sempre digo, para os incrédulos em minha afirmação de que sou torcedor exclusivamente carijó: “Nós somos os verdadeiros abnegados do mundo da bola”. Vamos ao estádio, sempre, com uma ponta de descrença espetando nosso coração repleto de amor pelo alvi-negro juizforano.
Não esperamos por títulos suntuosos, troféus brilhantes, campanhas avassaladoras, goleadas históricas, gols inimagináveis. Esperamos ver nosso time jogar, de forma correta, com aplicação, dedicação, coerência e com poder de agir e reagir quando necessário. Lutar, de forma digna e sem abaixar a cabeça, por maior que seja o adversário (e nenhum deles será maior do que nosso Galo Carijó). Isso é tão simples, tão “pouco”, tão normal, que já nos basta. Os resultados serão fruto deste “pouco” que esperamos. E quando os resultados acontecem, nos tornamos os torcedores mais orgulhosos, do melhor time de todos os tempos, não só de Minas Gerais, mas do Brasil, do Mundo.
Não há como descrever para vocês, boleiros, o que é a sensação que antecede o jogo.
Nós, da Tribo Carijó, nos falamos diariamente. Procuramos informações nos jornais, blogs, sites, assessorias, rádio e TV. Sabemos muito bem como é difícil garimpar informações do nosso time. Muitas vezes recorremos até aos diários do time adversário, para saber o que nos espera e também a forma como enxergam nosso time.
Passamos a semana apreensivos, avaliamos, damos nota, montamos nosso esquema tático, substituímos e escalamos nosso time. Secamos o adversário, com um ódio comedido, que some depois do jogo, mas com uma fúria que desejaria que estes adversários nem sequer pisassem em nosso querido gramado.
Isso vai crescendo, e muito antes da partida já falamos sobre o jogo, como se ele tivesse começado. Na véspera já sabemos quando e onde nos encontraremos para ir ao estádio, juntos, crescendo ainda mais a ansiedade pelo jogo.
Pelas ruas de nossa cidade surgem vários torcedores da Tribo, vestidos com suas inconfundíveis fardas pretas. Vêem de vários bairros e regiões, inclusive, de outras cidades. (Saiba você, boleiro, que somos muitos e estamos espalhados pelo Brasil afora).
Nos encontramos no ponto de ônibus destinado ao embarque da torcida, e lá estão todos, de olhos vidrados e o peito cheio de ar grita as músicas e o hino do Galo Carijó, já no embarque para o estádio.
A partir daí somos todos uma só voz, um só destino e uma só vontade. Tudo pelo Tupi.
Chegamos ao estacionamento e lá encontramos com mais torcedores da Tribo. O grito cresce, a força aumenta. Uns entram antes e já estendem nossa faixa, marcando nosso território conquistado nas arquibancadas. De lá não sairemos nem no mais quente sol e nem diante da maior tormenta.
Há um misto de admiração e temor nos olhos dos demais torcedores: Quem são estes malucos, por que estão neste clima, alucinados, em plena tarde de domingo?
Mas mesmo os mais incrédulos se contagiam, eles cantarão e vibrarão conosco durante os 90 minutos. E lá na Tribo não nos importaremos com o resultado final, se ganhamos, empatamos ou perdemos. E aquele “pouco” que nos move, sobre o qual me referi no início do texto se torna muito, porque naquele momento nossos jogadores não são simples atletas. São gladiadores na arena da bola, lutando contra tudo e contra todos, guerreando atrás da vitória impossível, derrubando leões, raposas, zebus e cravando a espora do Galo Carijó matador no coração do adversário que ousou entrar em nossos domínios.
Não queremos mais aquele “pouco”. Nós somos maiores e agora temos muito mais o que esperar de nossos jogadores:
Como disse o compositor, acertadamente:
“E muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais”
Não esperamos por títulos suntuosos, troféus brilhantes, campanhas avassaladoras, goleadas históricas, gols inimagináveis. Esperamos ver nosso time jogar, de forma correta, com aplicação, dedicação, coerência e com poder de agir e reagir quando necessário. Lutar, de forma digna e sem abaixar a cabeça, por maior que seja o adversário (e nenhum deles será maior do que nosso Galo Carijó). Isso é tão simples, tão “pouco”, tão normal, que já nos basta. Os resultados serão fruto deste “pouco” que esperamos. E quando os resultados acontecem, nos tornamos os torcedores mais orgulhosos, do melhor time de todos os tempos, não só de Minas Gerais, mas do Brasil, do Mundo.
Não há como descrever para vocês, boleiros, o que é a sensação que antecede o jogo.
Nós, da Tribo Carijó, nos falamos diariamente. Procuramos informações nos jornais, blogs, sites, assessorias, rádio e TV. Sabemos muito bem como é difícil garimpar informações do nosso time. Muitas vezes recorremos até aos diários do time adversário, para saber o que nos espera e também a forma como enxergam nosso time.
Passamos a semana apreensivos, avaliamos, damos nota, montamos nosso esquema tático, substituímos e escalamos nosso time. Secamos o adversário, com um ódio comedido, que some depois do jogo, mas com uma fúria que desejaria que estes adversários nem sequer pisassem em nosso querido gramado.
Isso vai crescendo, e muito antes da partida já falamos sobre o jogo, como se ele tivesse começado. Na véspera já sabemos quando e onde nos encontraremos para ir ao estádio, juntos, crescendo ainda mais a ansiedade pelo jogo.
Pelas ruas de nossa cidade surgem vários torcedores da Tribo, vestidos com suas inconfundíveis fardas pretas. Vêem de vários bairros e regiões, inclusive, de outras cidades. (Saiba você, boleiro, que somos muitos e estamos espalhados pelo Brasil afora).
Nos encontramos no ponto de ônibus destinado ao embarque da torcida, e lá estão todos, de olhos vidrados e o peito cheio de ar grita as músicas e o hino do Galo Carijó, já no embarque para o estádio.
A partir daí somos todos uma só voz, um só destino e uma só vontade. Tudo pelo Tupi.
Chegamos ao estacionamento e lá encontramos com mais torcedores da Tribo. O grito cresce, a força aumenta. Uns entram antes e já estendem nossa faixa, marcando nosso território conquistado nas arquibancadas. De lá não sairemos nem no mais quente sol e nem diante da maior tormenta.
Há um misto de admiração e temor nos olhos dos demais torcedores: Quem são estes malucos, por que estão neste clima, alucinados, em plena tarde de domingo?
Mas mesmo os mais incrédulos se contagiam, eles cantarão e vibrarão conosco durante os 90 minutos. E lá na Tribo não nos importaremos com o resultado final, se ganhamos, empatamos ou perdemos. E aquele “pouco” que nos move, sobre o qual me referi no início do texto se torna muito, porque naquele momento nossos jogadores não são simples atletas. São gladiadores na arena da bola, lutando contra tudo e contra todos, guerreando atrás da vitória impossível, derrubando leões, raposas, zebus e cravando a espora do Galo Carijó matador no coração do adversário que ousou entrar em nossos domínios.
Não queremos mais aquele “pouco”. Nós somos maiores e agora temos muito mais o que esperar de nossos jogadores:
Como disse o compositor, acertadamente:
“E muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais”
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Cachaceando
A cachaça!
Vai aí uma história sobre a origem:
Antigamente, no Brasil, para se ter melado os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado), não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o "azedo" do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formando no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava (por isso o nome de "Pinga"). Quando os pingos caiam nas costas dos escravos, marcadas pelas chibatadas dos feitores, esse líquido ardia muito (daí vem o nome "Aguardente"). Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca os escravos viram que a tal goteira dava um "barato" e passaram a repetir o processo constantemente.
Não sou um bebedor que entenda muito do tema cachaça, mas sei, ao menos, identificar as qualidades de um bom aguardente. Bobagens como a oleosidade do líquido e o colar de bolhas no gargalo da garrafa...
Em casa, além de uma Salinas, que fica tapada com rolha e embaixo da pia da cozinha (!?), guardo, na geladeira uma garrafa de cachaça de banana de Camanducaia. Não era a que eu queria de verdade: procurei pela cachaça de banana "Musa", mas os caras que a produzem acham que esta bebida é igual ou melhor do que Whisky, pelo menos pelo preço que cobram pela garrafa... E em JF simplesmente não existe...
Assim sendo, fico com a de Camanducaia, que tem um baixo teor de alcool e me serve muito bem.
Mas agora estou decidido a comprar tres marcas de cachaça, só pra mantê-las em casa e fazer graça com minhas visitas:
Providência, de Buenópolis/MG
Decisão, de Sabinópolis/MG
Atitude, de Goiania/GO
Vai aí uma história sobre a origem:
Antigamente, no Brasil, para se ter melado os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado), não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o "azedo" do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formando no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente. Era a cachaça já formada que pingava (por isso o nome de "Pinga"). Quando os pingos caiam nas costas dos escravos, marcadas pelas chibatadas dos feitores, esse líquido ardia muito (daí vem o nome "Aguardente"). Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca os escravos viram que a tal goteira dava um "barato" e passaram a repetir o processo constantemente.
Não sou um bebedor que entenda muito do tema cachaça, mas sei, ao menos, identificar as qualidades de um bom aguardente. Bobagens como a oleosidade do líquido e o colar de bolhas no gargalo da garrafa...
Em casa, além de uma Salinas, que fica tapada com rolha e embaixo da pia da cozinha (!?), guardo, na geladeira uma garrafa de cachaça de banana de Camanducaia. Não era a que eu queria de verdade: procurei pela cachaça de banana "Musa", mas os caras que a produzem acham que esta bebida é igual ou melhor do que Whisky, pelo menos pelo preço que cobram pela garrafa... E em JF simplesmente não existe...
Assim sendo, fico com a de Camanducaia, que tem um baixo teor de alcool e me serve muito bem.
Mas agora estou decidido a comprar tres marcas de cachaça, só pra mantê-las em casa e fazer graça com minhas visitas:
Providência, de Buenópolis/MG
Decisão, de Sabinópolis/MG
Atitude, de Goiania/GO
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Jiló
Butecando em Belo Horizonte, mais precisamente no conhecido Mercado Central, fui tomar uma cerveja nos famosos bares de lá, em pé, como deve ser, e acompanhado pelo famoso fígado acebolado com jiló.
Como sempre, o atendimento ágil dos “garçons” do buteco me providenciou uma cerveja bem gelada e o chapeiro já começou o preparo do famoso prato.
Como ainda era cedo, por volta das 10 horas, fui acompanhando o início dos trabalhos dos funcionários. Descascam quilos e mais quilos de cebola. O fígado está temperado de véspera, num freezer ao lado da chapa. Curioso notar que este bar, o “São Judas Tadeu”, fica em frente ao “Valadarense” e pertencem à mesma pessoa. Não há competição, embora a atendente me explicasse que existem metas de venda.
Desta forma, toda hora passam vasilhas de um lado ao outro, com ingredientes das porções. Eu mesmo acabei ajudando. Coisa que só em buteco acontece.
No preparo do prato, primeiro o fígado vai à chapa, previamente “suja” e curtida pelos anos de trabalho (não se assuste, é isso que faz o prato ser o que é!).
Não me recordo se o fígado vai fatiado ou se é cortado na espátula pelo chapeiro.
Segue a cebola e por último o jiló, que é comprado no mesmo dia do preparo e finamente fatiado praticamente no momento em que vai á chapa.
Não tem igual.
Fiquei pensando no jiló de Juiz de Fora. O único lugar que lembra o de BH é o Bar do Abílio, que somente agora começo a servir o jiló junto ao fígado. Feito na panela.
Lembrando que o Abílio tem uns 40 anos de bar.
No Bar Dias, o jiló é servido à milanesa, empanado. O corte é longitudinal.
No Santa Hora, da mesma forma, o jiló é empanado, mas o corte é transversal.
Na Bodega do Tropeiro, é servido frito e na pedra.
Em outros bares da região, ele é servido cozido e recheado, normalmente, com lingüiça fina.
Aqui, até sorvete de jiló há. Deus me livre.
Resta-nos torcer para que, influenciados pelo festival de BH, que este ano desembarca em Juiz de Fora em sua primeira edição, algum dos donos de buteco de JF se inspire e passe a preparar o jiló do jeito belorizontino de ser, um dos melhores, na minha modesta opinião.
Como sempre, o atendimento ágil dos “garçons” do buteco me providenciou uma cerveja bem gelada e o chapeiro já começou o preparo do famoso prato.
Como ainda era cedo, por volta das 10 horas, fui acompanhando o início dos trabalhos dos funcionários. Descascam quilos e mais quilos de cebola. O fígado está temperado de véspera, num freezer ao lado da chapa. Curioso notar que este bar, o “São Judas Tadeu”, fica em frente ao “Valadarense” e pertencem à mesma pessoa. Não há competição, embora a atendente me explicasse que existem metas de venda.
Desta forma, toda hora passam vasilhas de um lado ao outro, com ingredientes das porções. Eu mesmo acabei ajudando. Coisa que só em buteco acontece.
No preparo do prato, primeiro o fígado vai à chapa, previamente “suja” e curtida pelos anos de trabalho (não se assuste, é isso que faz o prato ser o que é!).
Não me recordo se o fígado vai fatiado ou se é cortado na espátula pelo chapeiro.
Segue a cebola e por último o jiló, que é comprado no mesmo dia do preparo e finamente fatiado praticamente no momento em que vai á chapa.
Não tem igual.
Fiquei pensando no jiló de Juiz de Fora. O único lugar que lembra o de BH é o Bar do Abílio, que somente agora começo a servir o jiló junto ao fígado. Feito na panela.
Lembrando que o Abílio tem uns 40 anos de bar.
No Bar Dias, o jiló é servido à milanesa, empanado. O corte é longitudinal.
No Santa Hora, da mesma forma, o jiló é empanado, mas o corte é transversal.
Na Bodega do Tropeiro, é servido frito e na pedra.
Em outros bares da região, ele é servido cozido e recheado, normalmente, com lingüiça fina.
Aqui, até sorvete de jiló há. Deus me livre.
Resta-nos torcer para que, influenciados pelo festival de BH, que este ano desembarca em Juiz de Fora em sua primeira edição, algum dos donos de buteco de JF se inspire e passe a preparar o jiló do jeito belorizontino de ser, um dos melhores, na minha modesta opinião.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Filosofia do Coletivo 2
Mais uma vez, indo para o trabalho, atrasado, como sempre, sento-me ao fundo do ônibus, cuja entrada agora se dá pela porta da frente. Uma pena, porque os aposentados que não dispõem ainda de cartão de vale transporte, sentam-se na frente do ônibus, distantes dos ouvidos dos que passam a roleta.
Mas a conversa fluia alta, e, já próximo ao meu ponto de descida, pude ouvir o "Sr. Caveira" proseando com o motorista e o cobrador.
E o assunto era o prefeito de Juiz de Fora, o Sr. Custódio Mattos.
Conversa vai, conversa vem, falam então do asfalto da avenida independência. "Troço ruim, num dia eles passam o asfalto, no outro já tem que vir tapando os buracos. Fora o transtorno para quem tem que passar pelas avenidas. Mas, eu sei porque ele está asfaltando a cidade: Não havia como pegar o asfalto todo pra ele, não dá pra ajuntar asfalto, tem que espalhar. Dizem que ele até pensou em juntar tudo pra ele, mas daí daria uma montanha de asfalto e, no máximo, daria pra fazer uma casa no alto da montanha nova, mas não daria pra gramar o morro, pq no asfalto não nasceria nada!"
Morri!
E continuaram: "E sabe o que o Serra faria se tivesse ganho a eleição? (Cruz Credo, grita um dos participantes da conversa) __ Ele ia dar uma injeção em cada aposentado, pra matar todos!"
E daí eu desci do ônibus, imaginando uma montanha de asfalto com uma mansão do Custódio em cima, e a campanha de vacinação para erradicar os aposentados do país...
Ri sozinho pelo calçadão. Sabem das coisas estes nossos velhinhos!
Mas a conversa fluia alta, e, já próximo ao meu ponto de descida, pude ouvir o "Sr. Caveira" proseando com o motorista e o cobrador.
E o assunto era o prefeito de Juiz de Fora, o Sr. Custódio Mattos.
Conversa vai, conversa vem, falam então do asfalto da avenida independência. "Troço ruim, num dia eles passam o asfalto, no outro já tem que vir tapando os buracos. Fora o transtorno para quem tem que passar pelas avenidas. Mas, eu sei porque ele está asfaltando a cidade: Não havia como pegar o asfalto todo pra ele, não dá pra ajuntar asfalto, tem que espalhar. Dizem que ele até pensou em juntar tudo pra ele, mas daí daria uma montanha de asfalto e, no máximo, daria pra fazer uma casa no alto da montanha nova, mas não daria pra gramar o morro, pq no asfalto não nasceria nada!"
Morri!
E continuaram: "E sabe o que o Serra faria se tivesse ganho a eleição? (Cruz Credo, grita um dos participantes da conversa) __ Ele ia dar uma injeção em cada aposentado, pra matar todos!"
E daí eu desci do ônibus, imaginando uma montanha de asfalto com uma mansão do Custódio em cima, e a campanha de vacinação para erradicar os aposentados do país...
Ri sozinho pelo calçadão. Sabem das coisas estes nossos velhinhos!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Filosofia do Coletivo
Parece coisa nobre, um estudo aprofundado sobre a interação entre mentes humanas.
Mas não é nada disso. Trata se, tão somente, de histórias ouvidas no ônibus mesmo
Explico: Trabalho em local próximo à minha residência, na mesma avenida, PORÉM, segundo o Google Maps, são longos 4 Km, intransponíveis à pé, se considerado o peso do escritor. (mentira, mas são demorados e chatos 45 minutos andando, e preciso manter a forma ovalada adquirida com tanto empenho, cerveja e tira-gostos variados)
Neste trajeto, que dura, normalmente, 15 minutos, vou pensando nas atividades laborais que me esperam, e projeto o que vou fazer naquele dia. Caso esteja de saco cheio, vou vendo as mazelas humanas pela janela. Acontece que, às vezes, sento-me num banco próximo a indivíduos que conversam entre si, em tons de voz dignos de Pavaroti. Apesar de julgar deselegante ouvir estas conversas, sou obrigado. Não há como ignorar a conversa.
E pensei em relatar o que ouço, para deleite dos que não são usuários do Coletivo em questão, e para que tenhamos um espaço para que outros comentem as “Filosofias” jogadas em seus ouvidos e que ficam repercutindo em suas mentes...
Dois amigos conversam no banco atrás de mim. Já estavam lá quando cheguei. O ônibus, cujo destino era o Bairro São Geraldo, havia partido do Vale do Bandeirantes.
Um dos interlocutores, o mais falante, tem aproximadamente 30 anos, é separado, pai de dois filhos, um deles foi gerado pelo casal, o outro filho, é fruto da relação anterior de sua mulher. A criança tinha apenas 1 mês de vida quando o casal se conheceu e juntou-se. Ele assumiu o bebê.
Hoje separado, ele paga a escola das crianças, luz de casa, e outras despesas, o que somam quinhentos reais, muito acima dos cento e vinte reais que o juiz determinaria como pensão. Mas ele não pode deixar os filhos na mão.
Ele esteve namorando outra pessoa, que seria uma mulher bonita. Mas não estão juntos agora. A mulher deve ter terminado o namoro. Ele disse a esta namorada que ela deveria usar sua beleza para coisas do bem, e tomar cuidado porque a mesma beleza que lhe traz coisas boas pode destruir sua vida. Esta ex namorada tem três filhos.
Mas afinal, ele está procurando uma benção, não somente uma mulher. Deus há de colocar alguém em sua vida, assim ele espera.
Contou ainda que compra suas roupas, todas maneiras, numa loja da GetúlioVargas.
E disse que está malhando, e que a nutricionista disse que ele pode ganhar improváveis 15 Kg de massa num único mês, desde que ele siga a dieta corretamente, o que não está fazendo ainda.
Despede-se do amigo e desce próximo ao Pq Halfed, e segue sua vida de labuta, certamente feliz.
Mas não é nada disso. Trata se, tão somente, de histórias ouvidas no ônibus mesmo
Explico: Trabalho em local próximo à minha residência, na mesma avenida, PORÉM, segundo o Google Maps, são longos 4 Km, intransponíveis à pé, se considerado o peso do escritor. (mentira, mas são demorados e chatos 45 minutos andando, e preciso manter a forma ovalada adquirida com tanto empenho, cerveja e tira-gostos variados)
Neste trajeto, que dura, normalmente, 15 minutos, vou pensando nas atividades laborais que me esperam, e projeto o que vou fazer naquele dia. Caso esteja de saco cheio, vou vendo as mazelas humanas pela janela. Acontece que, às vezes, sento-me num banco próximo a indivíduos que conversam entre si, em tons de voz dignos de Pavaroti. Apesar de julgar deselegante ouvir estas conversas, sou obrigado. Não há como ignorar a conversa.
E pensei em relatar o que ouço, para deleite dos que não são usuários do Coletivo em questão, e para que tenhamos um espaço para que outros comentem as “Filosofias” jogadas em seus ouvidos e que ficam repercutindo em suas mentes...
Dois amigos conversam no banco atrás de mim. Já estavam lá quando cheguei. O ônibus, cujo destino era o Bairro São Geraldo, havia partido do Vale do Bandeirantes.
Um dos interlocutores, o mais falante, tem aproximadamente 30 anos, é separado, pai de dois filhos, um deles foi gerado pelo casal, o outro filho, é fruto da relação anterior de sua mulher. A criança tinha apenas 1 mês de vida quando o casal se conheceu e juntou-se. Ele assumiu o bebê.
Hoje separado, ele paga a escola das crianças, luz de casa, e outras despesas, o que somam quinhentos reais, muito acima dos cento e vinte reais que o juiz determinaria como pensão. Mas ele não pode deixar os filhos na mão.
Ele esteve namorando outra pessoa, que seria uma mulher bonita. Mas não estão juntos agora. A mulher deve ter terminado o namoro. Ele disse a esta namorada que ela deveria usar sua beleza para coisas do bem, e tomar cuidado porque a mesma beleza que lhe traz coisas boas pode destruir sua vida. Esta ex namorada tem três filhos.
Mas afinal, ele está procurando uma benção, não somente uma mulher. Deus há de colocar alguém em sua vida, assim ele espera.
Contou ainda que compra suas roupas, todas maneiras, numa loja da GetúlioVargas.
E disse que está malhando, e que a nutricionista disse que ele pode ganhar improváveis 15 Kg de massa num único mês, desde que ele siga a dieta corretamente, o que não está fazendo ainda.
Despede-se do amigo e desce próximo ao Pq Halfed, e segue sua vida de labuta, certamente feliz.
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