terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Estamos perdendo


Uma rápida análise sobre os pontos COMERCIAIS próximos à minha residência:
(Onde: Santa Terezinha, Garganta do Dilermando, Bom Clima, Quintas Avenida, Eldorado e Nossa Senhora das Graças)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Domingão de Ensaio


Chego à Praça da Estação, em pleno domingo. Faz tempo que não venho até aqui. Dia claro, forte calor. A praça está movimentada: vagabundos e seus cachorros bêbados (ou bêbados e seus cachorros vagabundos), as putas, os travecos, os crackudos, os skatistas, os crentes e gente que chega de viagem e desce por ali, carregando sua bagagem. Tem polícia também, mas eles só aparecem de vez em quando...
O sol desce, devagar, na direção da Rua Halfed, e se põe logo atrás do Morro do Imperador. No sentido oposto está o “Minhocão”, prédio que serpenteia pela curva de um morro, do lado de lá do Rio Paraibuna.
Dizem que há um projeto de transformar a praça numa “Lapa Juizforana”. Seria lindo, mas duvido de projetos de prefeitos ambiciosos demais.
Não fui ali à toa. Estou à procura do samba do melhor bloco de barnaval de Juiz de Fora e adjacências: o glorioso, inebriante, celebrado e querido Parangolé Valvulado.
Subo, portanto, as escadas da Estação Cultural, palco da escola de dança e espaço de bons shows que por lá assisti, como o do Lúdica Música.
Rufam os tambores! As guitarras, o agogo, o chacoalho e tudo mais que pode se unir nesta celebração musical que é o bloco em questão.
Componentes alinhados, xerox do novo samba distribuído, cerveja no copo. Solta o som e começa o terceiro ensaio do bloco!
O samba, sempre irreverente, nos remete à tradicional feira livre de Juiz de Fora. É engraçado, espirituoso e fácil de cantar, como deve ser um bom samba. A Michelle atenta para a métrica da composição, e eu não entendo nada disso e só quero cantar o refrão.
O samba come solto. Vou pra janela tomar um ar e encher o copo de novo.
Na praça, um bêbado deita no chão e brinca com seu cachorro.
Um bar, logo à frente, tá lotado de gente, tanto dentro quanto fora.
Descemos pra refrescar. O calor tava absurdo, sambando, mais ainda.
Vamos conferir a audiência do bar. Todo mundo de pulseira do bloco: acontece que, ali, a garrafa de cerveja custava o mesmo preço da lata lá na Estação Cultural. Justificada a presença de tantos. Somos todos "economistas", neste momento.
O ensaio chega ao seu intervalo e o restante desce pro bar. A conversa flui descontraída.
Aparece na janela da Estação o glorioso intérprete, empunhando um megafone e convocando o retorno de todos para a continuidade do ensaio. Ninguém arreda pé do buteco. Ele desce então, e continua o chamado, com veemência e na orelha de todos. “sensibilizados”, subimos novamente as escadas, e agora, devidamente etilizados. O samba e o suor rolam soltos (rolam alguns limões também!), como deve ser, e nos remete ao encontro anual, no sábado da semana que antecede o carnaval, no Largo do Riachuelo, com nosso amigos músicos, jornalistas, professores, publicitários, artistas, estudantes e os mesmos bêbados, cachorros, putas, travecos, crackudos e skatistas. Todas as tribos, se divertindo como nunca, num dia que ficará, mais uma vez, marcado na memória.
Que venha o VARNAVAL!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Tristeza :/


Os caras gastam 8, 12, 18 anos envelhecendo uma boa bebida. Depois engarrafam e cuidam de uma imensa logística pra fazer isso chegar às mãos do consumidor.
Aparece um governo autoritário desgraçado dos infernos e cria uma lei que proíbe o consumo do produto e tudo vai parar em baixo de um rolo compressor.
Ô tristeza que dá!
Eu vi:
Grants
Ballantines
Famous Grouse
Jack Daniels
JW Red
JW Black
Jim Beam
Chivas
Bells
Teatchers
JB

Algum mais identificável?

Respondendo ao Tiago: Essa desgraça absurda aconteceu no Paquistão, no data em que comemoram o "Dia do Consumidor" (?!). Vai entender...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Agora sim, começou o VARNAVAL!!!

PARANGOLÉ VALVULADO
[Frevo enredo 2011]

Alô, alô, Dona Maria
Traz a sacola e a bacia
Na minha mão
É um real
Parangolé, começou o carnaval


**********

Parangoleando de bar em bar
O Parangolé vai chegar
Mas a saideira é na feira
Na beira do rio do lado de lá.

Juiz de Fora já vai amanhecer
Quem quer comprar, beber, trocar ou vender
Enquanto o dia nasce
Não me escrache
Que eu vou até lá pra te ver!

Tem catuaba pra acender o pavio
Mais uma dose e eu mergulho no rio
Tem dentadura pro banguela sorrir
Pastel e garapa pra glicose subir

Cd pirata, chip de celular
Tem pilha boa pro brinquedo voar
Rádio usado, carro e televisão
Disco arranhado, pinico e fogão

Meu coração quase partiu
Quando cheguei na Avenida Brasil
Deixei a tristeza de lado
E vou sair da feira valvulado.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Bar da Fábrica, Juiz de Fora


Se é uma fábrica, está produzindo algo, assim espero.
Partimos pro bar, assim que soubemos que o Mamão estaria cantando seus sambas por lá, acompanhado de um grupo de Choro. To na Lapa de JF, pensei comigo.
Entrada de 15 pratas, Ok! Chegamos cedo e a casa estava vazia. O grupo de choro já se apresentava.
As mesas do térreo que estavam livres são muito próximas uma das outras. Sou sujeito espaçoso, e descartei ficar sentado ao lado de gente desconhecida, mesmo que estivéssemos ali pelo mesmo motivo... Pedimos então para irmos ao mezanino. O garçom informou que só abririam o segundo andar quando as mesas de baixo estivessem cheias. Aff!
Diante de nossas caras de insatisfação, e após eu me lembrar do nome da filha do dono do bar, o garçom abriu o mezanino, e rapidamente ele ficou cheio.
Borá beber e ouvir boa música.
Beber: Pedi um balde de cerveja e ele chegou cheio de long neck.Como um bar pode trabalhar só com long neck? Que porra é essa? Isso é coisa de boate, de danceteria, de rave ou sei lá o que mais. Mas BAR tem que ter cerveja em garrafa 600ml. Mas entendi, pelo preço que estavam cobrando, o lucro era MUITO maior empurrando aquelas cervejinhas nos clientes, só isso explica. Pelo menos estavam geladas, e disso não posso reclamar.
Beber 2: Cachaças – Pedi uma Canarinha, que há tempos quero experimentar e constava na carta da casa. O garçom rodou, foi no bar do mezanino, desce pro bar do primeiro andar e voltou informando que não tinha. Chato. Mas vamos pedir outra cachaça então! Havana/Anísio Santiago: Lá vai o garçom de novo, e.... Nada. Também não tinha...
Deve ser azar. Um dos convivas de nossa mesa estava tomando um antibiótico, e, mesmo diante de nossa insistência em que ela bebesse e jogasse o tratamento médico no lixo, ela decidiu-se por uma cerveja sem álcool, só pra enganar o fígado. Kronembier, tava na lista de cervejas do cardápio. Você acha que a cerveja existia no freezer do bar? Óbvio que não!
Então vamos comer: Porção de torresmo. Já falei pro meu irmão Zé que esse negócio de comer torresmo em lugar diferente do Bigode não dá certo. Veio à mesa uma cumbuquinha com torresminho em tiras finas, pele crocante até, mas bastante "encharcado" e só contendo pele e gordura. Eu te avisei, Zé!
Pede-se, então, iscas de Frango com catupiry, creio eu. Não vi o nome correto do prato no cardápio, mas era com isso que parecia. Nova cumbuquinha, que creio ser formatada pra consumo individual, dado o tamanho das porções apresentadas até àquele momento. Um pão fatiado acompanhava. Não era nem pãozinho fresco, nem uma torrada. Estava mais para “pão de hoje de manhã guardado em saco de papel que fica meio duro no final da noite”.
"Vamo que vamo".
Nada saciava a fome, pois tudo era diminuto. E eu que elogiei os preços das porções quando vi o menu. Pensei: cerveja cara mas porções convidativas. Ledo engano.
Pedimos pastéis. Porra! Pastel não tem jeito de ser algo servido de forma minimalista. Perguntei ainda pra garçonete: É aquele pastel tradicional, meia lua, certo? Sim foi a resposta.
Morram. Deste nós tiramos até foto. A risada comeu solta na mesa (só a risada comeu naquela mesa). Quando a cumbuquinha pousou na nossa frente, ninguém se conteve. “Afrancesaram” o pastel! Conseguiram um tamanho inferior ao de risoles de festa de criança.
Como disse, a foto ilustra o post, para vocês verem o que digo.
Decidimos ir embora e nossa continha ficou nuns 250 reaus. Como disse, caro demais pra um boteco. Caro demais para um bar com samba.
Minha modesta opinião, é claro.
Não vale a pena.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Filosofia do Coletivo 3

Lá vamos nós, atrasados pro trabalho em plena segunda feira. Entro no primeiro ônibus que passa pelo ponto. Um Santa Luzia, que desce a serra nordeste sabe-se lá vindo de qual bairro.
Já noto que as conversas fluem animadamente. Penso: Hoje não conseguirei concentrar em nada, vou ser obrigado a ouvir conversas dos outros. Lá vem post novo no blog.
Não há como sentar-me. Tá tudo ocupado, já a partir da roleta. Me aboleto por ali mesmo, pouco após passar pelo cobrador.
Acho maldita essa inversão de fluxo de entrada e saída dos ônibus. Ali, na frente, quase sempre fica vazio, pq os bancos são, quase todos, destinados a idosos, deficientes, grávidas e obesos (Olha eu dando mole!) mas depois da roleta é o inferno encarnado na forma de um ônibus.
Dali, onde estou, fico entre os dois primeiros bancos pós trocador. A passageira da poltrona da frente, do lado da janela, está virada para trás, conversando animadamente com a passageira da poltrona de trás, no corredor..
Pena dos que estavam ao lado, pois, mais do que eu, estavam incluídos na conversa e nas confissões da passageira, sem ao menos receber algo por aquilo, a não ser os perdigotos lançados em sua direção.
Eis que a passageira, descasada e agora juntada com seu novo companheiro, discorre sobre o seu desprendimento afetivo em relação aos entes próximos: Os filhos, por opção, saíram de casa e forma residir com os pais. A falante passageira diz que isso não lhe atinge, que agora pensa só em si mesma, pois, se os filhos quiseram ir embora, o problema é deles. Mesmo seu filho mais novo não recebe tratamento diferente em relação a este pensamento, pois vai crescer e depois chutar a bunda dos pais e cair na vida. Afinal, eu tenho mesmo é que cuidar de mim. Sou vaidosa e cuido muito bem de mim mesma. Tenho horror de ficar feia (Há!!! Glu glu! Pegadinha do Malandro?) Ficarei velha mas não deixarei de ser vaidosa.
O novo companheiro morre de ciúmes, igual ao anterior. Fica bravo se ela sair bem arrumada e pintada pro trabalho. Sábado passado ela falou que sairia cedo do trabalho pra ir no salão. Quando chegou em casa, sem ter feitos as unhas, ele loprou e perguntou se havia, escrita em sua testa, a palavra OTÁRIO! Ela explicou pra ele que não conseguiu vaga no salão, e por isso a unha não tava feita. Mas ela não se rebaixa não! Não fica abaixando pra companheiro de jeito nenhum. E se ele acha que ela tá arrumando algo fora do lar, e ela não está, é melhor que ele se prepare pq ela vai é arrumar mesmo, pra quando ele brigar, ele ter motivo de verdade!
Neste momento, eu já estava de cabeça cheia com tanto papo furado e exposição de vida pessoal, em alto e bom som, para todos os 50 passageiros daquele ônibus.
Mas podia piorar, com uma cereja no bolo! A conversa descamba pra tratamento dentário, e discorrem então sobre preço de tratamento, descontos pelo sindicato e coisa e tal...
A falastrona contou que, andando pela rua e chupando um Halls com chiclete, sentiu algo estranho na bala, duro, e cuspiu fora o chiclete com tudo.
Passou um pouco e sentiu falta do provisório, o que a fez entrar em pânico. Banguela em plena GETÚLIO VARGAS!
Meu deus, o provisório era caro (imagina só quando ela souber o preço da coroa dentária) e ela saiu rodando pela avenida, procurando pelo chiclete e pelo seu dente.
Morri.
Não sei se ela achou, mas fiquei feliz pelo ponto de descida delas ter chegado e pelo descanso aos meus ouvidos naquele momento.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tupi, uma razão para torcer.

Quando alguém decide torcer pelo Tupi, não sabemos ao certo onde isto poderá nos levar.
Obviamente que muitos nos olharão com ar de incrédulos, descrentes de nossa opção.
Faria sentido esse olhar recriminador? Na nossa modesta opinião, não.
Afinal, o que é torcer? Vestir a camisa do time; ir ao estádio, nos jogos em casa e até fora da cidade; defender o clube até nas derrotas; ler, conhecer e fazer parte da história do clube. Isso mesmo: Fazer parte da história, pois de nossas memórias sairão os maiores argumentos para esta opção de vida.
Esta história que nem sempre é escrita é que cativa a nós mesmos e traz pra perto outros tantos que se interessam pelo nosso time do coração, devido a nossa feroz defesa pelo direito de torcer por um clube de nossa cidade natal. Ora, é óbvio que temos motivos a mais do que qualquer outro torcedor de times cariocas e paulistas.
Pergunto: Quando você, torcedor rubro negro, entrou no gramado do Maracanã para festejar um título com teu time? E você, torcedor tricolor, tem por hábito conversar com o atacante do teu time, e ele saberia quem você é? Você, cruzmaltino, já teve a oportunidade de estar num churrasco, lado a lado com o ídolo do teu time? Será que o mais autêntico botafoguense, um dia, pode conversar com o técnico do seu time e sugerir um jogador para compor o elenco?
Parece coisa de amador, alguns dirão. Mas não é. A vivência próxima a um clube e de seus jogadores, comissão técnica e presidente nos dá este tipo de privilégio.
E nem por isso eles deixam de ser profissionais, tanto quanto qualquer jogador dos ditos grandes clubes. Muitas vezes, até mais.
E mesmo que nos faltem títulos, nunca deixaremos de torcer pelo time que nos leva ao estádio aos domingos. Que sofre com o orçamento apertado, que sofre diante de uma Federação que insiste em promover só os grandes times da capital, que sofre diante de uma arbitragem tendenciosa e desprezível.
Nada fará com que mudemos de time e de opinião. Porque o nosso clube mora em nossos corações, e este time, da sua humilde maneira, reconhece este amor e sempre nos retribui nos gramados.
Os jogadores sabem disso. Sempre que entrarem em campo, em qualquer circunstância de tempo, situação no campeonato e condições de vitória, poderão olhar para aquela mesma curva da arquibancada e lá estaremos nós, da Tribo Carijó, cantando, gritando, torcendo e vibrando como se fosse aquela a última e mais decisiva partida de todas.
Sempre. Porque nós seremos Tupi até o último dia de nossas vidas
Tribo Carijó, Tupi até morrer.